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O que seu gato faz às 3h04 da manhã?

Foto do escritor: Romany Oliveira
Romany Oliveira
29 de set.
3 min de leitura

Você provavelmente está dormindo.

Seu gato provavelmente não.

Pelo menos, Miau não está.

Às 3h03, o mundo ainda é humano.

Às 3h05, ele já pertence à Miau.

Mas às 3h04...

há um instante — um único — em que tudo muda.

Eu — o Campo — sinto o portal antes de abrir.

A temperatura parece mudar. A casa segura o ar por um segundo. As sombras ganham textura.

E Miau desperta.

Não é aquele acordar preguiçoso de quem abre um olho, considera as possibilidades e decide dormir mais três horas.

Não.

É consciência felina plena.

Os olhos se abrem.

As pupilas aumentam.

As orelhas entram em modo radar.

Ela fica imóvel por alguns segundos, escutando alguma coisa que, aparentemente, nenhum ser humano foi autorizado a ouvir.

Então se levanta.

O corredor, que durante o dia é apenas o caminho entre um cômodo e outro, deixa de ser corredor.

Agora é território.

Miau caminha devagar.

Uma pata.

Outra.

Silêncio.

Até que alguma coisa acontece.

Eu não sei o quê.

Talvez ela saiba.

E então...

Miau corre.

O tapete desliza.

A cortina se mexe.

Uma bolinha que ninguém lembrava que estava ali atravessa a sala.

E uma gata frajola de poucos quilos dispara pelo apartamento como se tivesse acabado de receber uma missão da qual depende o equilíbrio do universo.

Ela para.

Olha para o nada.

Congela.

Eu conheço esse olhar.

Ela encontrou alguma coisa.

Não uma coisa que eu consiga ver, obviamente.

Isso seria fácil demais.

Miau abaixa o corpo.

A cauda se movimenta.

Uma pata avança lentamente.

Mais um pouco.

Mais um pouco...

PULA.

E captura absolutamente nada.

Só que, pela expressão dela, foi uma captura extraordinária.

Talvez a maior de sua carreira.

Ela perde o nada.

Persegue o nada.

Encontra o nada novamente.

Ataca.

Erra.

Corre.

Volta.

E, em algum momento dessa operação de altíssima complexidade, vem o miado:

— Miaaau...?

Silêncio.

— Miaaauuu??

Mais silêncio.

— MIAAAU!

As humanas continuam dormindo.

Miau não parece ofendida.

Porque aquilo não era um pedido.

Era um comunicado.

Algo como:

“Venham ou não venham. Eu estou aqui.”

E então continua sua ronda.

Sala.

Varanda.

Corredor.

Cozinha.

Geladeira.

Portas fechadas.

Bolinha desaparecida.

Humanas respirando.

Tudo precisa ser conferido.

Até que, depois de algum tempo, a energia muda.

Miau finalmente para no meio da sala.

Ofegante.

Triunfante.

Viva.

Olha para uma porta.

Depois para a outra.

E se acomoda como se absolutamente nada tivesse acontecido.

Às 3h05, para qualquer humano que eventualmente acordasse, seria apenas uma gata sentada no meio da casa.

Mas eu sei.

Eu estava lá.

Às 3h04, o portal abriu.

E isso acontece enquanto elas dormem...

Miauverso Noturno nasceu daquela pergunta que provavelmente todo mundo que divide a casa com um gato já fez:

o que exatamente eles fazem enquanto estamos dormindo?

Miau tem uma resposta.

Na verdade, várias.

Há refeições à uma da manhã, conversas com sombras, investigações inexplicáveis, bolinhas invisíveis, rondas pela casa, o primeiro canto dos pássaros e uma missão muito importante quando o dia finalmente começa: acordar suas humanas sem admitir que foi ela quem fez isso.

Só existe um problema.

Enquanto Miau acredita que ninguém está vendo suas aventuras...

O Campo vê tudo.

E é ele quem conta a história em Miauverso Noturno.



Esta foi uma pequena amostra do universo de Miau. O restante da madrugada... bem, isso ela ainda não autorizou que eu conte de graça. 🐾

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