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Uma carreira movida a “mas por quê?”

Minha trajetória profissional nunca foi exatamente uma linha reta. Talvez porque eu nunca tenha sido muito boa em olhar para uma coisa funcionando e simplesmente aceitar que ela funciona. Eu quero saber por quê. E, infelizmente para qualquer processo que esteja na minha frente, normalmente vem uma segunda pergunta: “Tá, mas e se a gente fizer diferente?” Foi assim que tecnologia entrou na minha carreira. Minha trajetória passou por Recursos Humanos, processos, projetos e transformação digital até chegar ao universo Oracle HCM Cloud. Na prática, fui ficando cada vez mais perto daquele lugar onde pessoas, regras de negócio e sistemas precisam — teoricamente — conversar entre si. Digo teoricamente porque boa parte da carreira de uma consultora começa justamente quando eles param de conversar.

Hoje trabalho com Oracle HCM, investigando processos, configurações, segurança, integrações, relatórios e comportamentos do sistema. Muitas vezes meu trabalho começa com uma frase perigosamente simples: “Isso não está funcionando.” A partir daí começa a investigação. O que aconteceu? Desde quando? Para quem? É configuração? Segurança? Elegibilidade? Dados? Integração? Redwood? Um comportamento esperado? Um bug? Um bug que parece configuração? Uma configuração que parece bug? E, eventualmente, a pergunta mais importante de todas: “Tem evidência?” Talvez por isso eu tenha encontrado um lugar tão confortável na tecnologia. Ela recompensa uma característica que sempre me acompanhou: a necessidade de entender como as coisas funcionam por dentro.

Só que essa curiosidade nunca ficou restrita aos sistemas. Em algum momento, comecei a fazer exatamente as mesmas perguntas sobre pessoas. Por que reagimos de formas tão diferentes à mesma situação? Por que algumas pessoas procuram controle enquanto outras procuram segurança, reconhecimento, autonomia ou paz? O que acontece quando ansiedade, personalidade, emoções, instinto e ambiente começam a conversar — ou a discutir — dentro da mesma pessoa? Foi daí que vieram meus estudos e minha escrita sobre comportamento, Eneagrama, ansiedade, liderança e relações humanas.

E então aconteceu uma coisa bastante previsível para alguém que já tinha o hábito de perguntar “e se?”: eu comecei a aplicar a pergunta a coisas que nem sequer existiam. E se esse mundo funcionasse de outra maneira? E se essa personagem tomasse a decisão errada? E se aquilo que deveria dar terrivelmente errado desse certo por acidente? E se uma gata tivesse opiniões muito específicas sobre as humanas com quem mora? Aí vieram a fantasia, os romances, as light novels, os mundos imaginários, o MIAUVERSO e uma quantidade pouco razoável de personagens que, depois de criados, passaram a demonstrar pouquíssimo respeito pelos meus planejamentos.

E a tecnologia voltou a aparecer. Inteligência artificial, engenharia de prompts, design aplicado à IA e novas formas de trabalhar e criar passaram a fazer parte das minhas perguntas. Não porque tecnologia seja uma área separada das outras, mas justamente porque, para mim, ela nunca foi.

Tecnologia é sobre pessoas. Comportamento é sobre pessoas. Carreira é sobre pessoas. E histórias também são.

Olhando para trás, talvez minha trajetória faça mais sentido do que parecia enquanto eu estava vivendo cada pedaço dela. Passei de processos de RH e transformação digital para sistemas; dos sistemas para perguntas sobre comportamento; das perguntas sobre comportamento para livros; e dos livros para mundos que provavelmente não deveriam ter saído da minha cabeça — mas saíram.

Hoje continuo trabalhando entre esses lugares. Sou consultora, autora, pesquisadora por curiosidade e uma pessoa com uma relação um pouco suspeita com a pergunta “E se...?” Porque quase tudo que fiz começou assim. Às vezes a resposta vira uma solução. Às vezes vira um livro. Às vezes vira outra pergunta. E, considerando meu histórico, essa última é provavelmente a opção mais perigosa.

Momentos & Bastidores

Viajar, conhecer novas culturas e estar com quem amo alimenta minha curiosidade e amplia meu jeito de enxergar o mundo.
No fim, pessoas, lugares e experiências também acabam encontrando um caminho até as minhas histórias.

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