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Amor de trás para frente tem nome de tia

Foto do escritor: Romany Oliveira
Romany Oliveira
2 de out.
3 min de leitura

Meu livro se chama O Amor de Tia.

E eu sou a Tia Roma.


Até aí, tudo normal. Uma tia escrevendo sobre os sobrinhos, contando histórias, guardando aquelas coisas que a gente tem medo de esquecer. Porque criança cresce, muda o jeito de falar e, quando a gente percebe, aquela fase já passou. E a gente fica querendo lembrar exatamente como era.


Mas aí eu reparei numa coisa.


AMOR, lido de trás para frente, vira ROMA.


Eu fiquei olhando para as duas palavras.


Como assim eu passei tanto tempo sendo a Tia Roma e nunca tinha percebido isso?


Logo eu, que escrevi um livro chamado O Amor de Tia. Estava ali, nas mesmas quatro letras. Só precisava olhar pelo outro lado.


Claro que minha cabeça já começou a trabalhar. Porque comigo é assim: eu encontro uma coincidência e, quando vejo, ela já está querendo virar história.


E essa tinha tudo para virar.


Roma é o nome que meus sobrinhos usam para me chamar. E amor é o que me faz atender. Mesmo quando o chamado vem acompanhado de alguma ideia que vai dar trabalho.


Porque ser tia também é isso. Você escuta uma proposta e pensa: “Será que isso vai dar certo?”


Aí olha para a carinha de quem perguntou.

Pronto. Já está envolvida.


Foi assim com tanta coisa. Com brincadeiras, passeios, bolhas de sabão. Com o Halloween que eu queria que eles vivessem e que me fez empolgar com a decoração da casa. Eu adoro Halloween. Então, vocês imaginem: eu querendo proporcionar a experiência às crianças e, ao mesmo tempo, tendo uma ótima justificativa para enfeitar tudo.


Minha irmã acabou entrando na empolgação também. Porque algumas ideias de tia precisam de cúmplices.


E tem o cavalinho. Ah, o cavalinho.


Paris, Roma… lugares lindos, tanta coisa para olhar. Mas, se a criança quer cavalinho, a tia descobre que pode acrescentar mais uma função ao passeio: transporte infantil.

Depois a gente sente nas costas. Na hora, acha graça.


Quando comecei a reunir essas lembranças, fui percebendo o tanto de coisa que cabia nesse amor. As grandes experiências, sim, mas também os detalhes que talvez só tenham ficado guardados em mim. Uma palavra, uma pergunta, um jeito de me chamar. Coisas pequenas que, anos depois, ainda me fazem sorrir.


Foi daí que nasceu O Amor de Tia.

E agora descubro que o nome da tia estava escondido dentro do amor o tempo inteiro.

Está bem, escondido não. Estava escrito ao contrário. Vamos ser precisos.


Mas eu gostei de pensar que, quando meus sobrinhos dizem “Tia Roma”, aquelas quatro letras ganham uma voz. Uma voz que eu reconheço, que cresceu, que mudou com o tempo — e que continua sendo a deles.


Não escolhi o nome do livro por causa dessa coincidência. Só percebi depois.

E talvez tenha sido melhor assim. Primeiro vieram as crianças, as histórias, as lembranças e a vontade de escrever. Depois, as letras me deram mais uma história para contar.


Agora eu tenho um argumento muito bom para usar com meus sobrinhos:

— Vocês sabem que Roma é amor de trás para frente?


Imagino que algum deles vá revirar os olhos. Outro talvez ache graça. E pode ser que eu precise explicar, soletrar, escrever num papel.


Tudo bem. Eu explico.

Tia também serve para isso.


E, se depois vier um “Tia Roma…” pedindo alguma coisa, já sei que a conversa vai continuar.

Provavelmente com mais uma ideia.


E eu, mais uma vez, envolvida.

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