Meu pai contava histórias para eu dormir. O plano tinha uma falha.
Quando eu era criança, meu pai contava histórias para eu dormir.
A lógica era simples:
história → criança relaxa → criança dorme.
Só havia um pequeno problema nesse planejamento.
Eu não dormia.
Eu queria saber o que acontecia depois.
Quando a história terminava, em vez de finalmente fechar os olhos, vinha o pedido:
“Conta outra.”
E depois outra.
E, se ele tivesse cometido o erro de contar uma história particularmente boa, dormir ficava ainda menos interessante.
Anos depois, comecei a escrever A Floresta das Histórias.
E acho engraçado perceber que, de algum jeito, aquela criança que não queria que as histórias acabassem continuou por aqui.
Só mudou uma coisa:
agora, quando uma história termina e eu quero outra...
sou eu que tenho que escrever.
Meu pai contava histórias para eu dormir. O problema é que eu gostava tanto delas que dormir virou a parte menos interessante da noite.

